To Brunno Jahara

Acabara de voltar do Rio, na época em que havia chegado de Londres e estava à procura de uma casa amarela na Cardeal Arcoverde entre a João Moura e outra rua que também se iniciava com C.

Uma então nova amiga italiana, a Paola, que conheci na casa do meu antigo amigo Breno, me sugeriu ir ao aniversário do até então desconhecido amigo de ambos, o Brunno. Nem a Paola, nem o Breno estariam, mas eu iria assim mesmo e ainda levaria minha amigona, a Carla.

Já havia se passado uma hora desde que o novo dia se iniciara. Achamos a casa amarela que, pelo silêncio que ecoava, nos fez ir ao bar da esquina comprar umas cervejas.

Tocamos a campainha e nos escondemos nas laterais. Por uma janelinha na porta, daquelas em que o rosto que se mostra consegue proteger o que se tem ao mesmo tempo em que parece indagar com curiosidade, surgiu o tal amigo do amigo.

Fui obrigada a me pronunciar:

-       É da casa do Breno?

-       Não.

-       Oops, do Bruno?

-       Sim.

-       É ele?

-       É.

-       Prazer, sou a Thais amiga do Breno, e da Paola, e essa é a Carla, minha amiga.

Era 1 da manhã, a festa havia começado ao meio-dia e os últimos dois realmente convidados recém haviam partido. Foi nesse e sobre esse contexto que entramos em cena. Só nos restava então… organizar a bagunça, recolher o lixo, lavar a louça varrer o chão e tomar as cervejas que estavam abertas e as que ainda iríamos abrir.

Daí para frente Brunno se tornou um dos novos horizontes que se formavam numa então para mim desgastada São Paulo. Quando estava pelos arredores, lhe fazia visitas surpresa. Com a Paola, passamos a criar meetings de botequins e lançamentos. Ao seu lado dividi um sofá na minha então primeira sessão de Ayuasca. E através do Facebook fui acompanhando sua ascensão como designer recém cegado e instalado no Brasil.

No dia das crianças mexicano, após sair de uma sessão de Alexander Kluge na Cinemateca e me sentar numa praça em frente à igreja ao som de um grupo de salsa para comer uma tentadora banana recheada, me deparei com uma tira de bandeirolas de plástico mexicanas pendendo até o chão. Recolhi um jogo multicores e parti.

Fui ao correio um tempo depois despachar uma bagagem e queria aproveitar para enviá-las a algum amigo. Pensei naqueles que gostavam de peças decorativas e populares, Guta Frank, Kekei, mas eles não se encaixavam. Guardei-as.

Foi então, durante uma longa caminhada ao cerro em Real de Catorce que me veio à mente assim, do nada, que era para o Brunno. É ele quem brinca com as cores, que pesquisa o popular, que pensa sobre objetos e usos, que está criando laços com a América Latina, que mistura ordenadamente em seu atelier.

Na necessidade, até eu criei um uso para a bandeirola em meu quarto temporão em Real, como está na foto. Ou seja, e mesmo que não seja o que for, ou se não for, de uma coisa ela será objeto, de recriar o mesmo olhar de susto e surpresa que Brunno lançou ao me ouvir bater à sua porta.

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~ by giftome on May 28, 2010.

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